sexta-feira, março 06, 2009

Bafode Watch I


Inauguramos hoje uma nova rubrica aqui no Cromos da Bola, SAD:
- O Bafode Watch.

Enamorado pelas múltiplas capacidades do jogador canarinho Bafode Carvalho, o comité bloguístico decidiu ofertar uma resenha mensal da magia bafodiana a todos os adeptos do futebol mundial, que desta forma podem passar a seguir a carreira do estóico polivalente gialloblú.

- "Raios me bafodam, mas quem é o carvalho do gajo?"

Nada nos dará mais prazer do que responder a essa questão:

Ou melhor, a um anónimo Mestre youtubiano. Segundo as sábias palavras do sempre atento AGENTEVANDRO, o lateral-direito Bafode faz uma perninha a extremo, mas também pode jogar a trinco caso seja necessário. Senão vejam, no seu melhor inglês Graeme Sounéssio:
- "quickly and great skill ,good cross and well knowing for be very strong right defender,could play as a DEFENSIVE MIDFIELD as he has enough ability and great pass, create a lot of oportunity for his team mate!! "

Proponho-me a traduzir o texto do nosso entusiasta amigo:

-"rapidamente e grande capacidade ,bom cruzamento e sabendo bem para ser forte defesa direito, podia jogar como um MEIO-CAMPO DEFENSIVO já que ele tem habilidade suficiente e excelente passe, cria muitas oportunidade para o seu equipa amigo."

Parece-me algo que poderia sair da experiente cavidade bucal de Jorge Jesus, mas não vejo por que motivo o reputado Mijter arsenalista haveria de usar um pseudónimo. Assim sendo, vamos continuar a chamar-lhe AGENTEVANDRO...mas com todo o carinho do Mundo, claro.
Até porque o mesmo guru youtubense nos faculta um mágico vídeo com os melhores momentos da carreira do estorilista Bafode Dabo Carvalho. Aqui.

Como desde cedo se aperceberão, este deleite de oito minutos é bem capaz de ser uma das melhores compilações de jogadores existentes na internet. Esqueçam os golos de Ibracadabra, os regates de Leo Messi ou os slaloms de CR7. Temos os atrasos para o guarda-redes e os passes curtos lateralizados de Bafode Carvalho.


A movimentada compilação dos melhores momentos da carreira do nosso herói conhece o seu primeiro momento de êxtase aos 00:36 seg, momento no qual podemos observar o melhor cumprimento arbitral da carreira de Bafode. A perfeita extensão do braço e a correctíssima postura do espécimen compõem um cordial bacalhau do carvalho.

O carvalho do Bafode é absolutamente exímio a fazer atrasos imaculados para os centrais (1:09 min ou 3:29min) e exibe uma invulgar maestria na forma como observa os colegas a executar livres directos (2:00 min).
Reparem no seu globo ocular direito: perfeitamente posicionado no rosto, demonstrando um raro savoir faire futebolístico-fisiológico.

O polivalente luso é de igual forma excelente a ajeitar a bola e correr para a marcação das bolas paradas. Infelizmente ficamos sem saber como as marca, ao final de contas (2:05min e 2:15min).

Pouco depois, demonstra todo o seu potencial-mantorras ao ludibriar um adversário e a colocar o cautchú no insuspeito ariete canarinho, que finaliza afobado (2:42min).
Mas não fica por aqui: potencial cacciólico (4:00min) a bafoder a sempre bela e elegante defesa do Sport Lisboa para uma concretização do carvalho.
Excelente passe lateral aos 4:35min. O carrossel canarinho no seu apogeu bafodiano. Estaremos na presença do tão aguardado Farnerud de Ébano?

Brilhante a forma como usufrui da capacidade de andar, usando as duas pernas e o seu belíssimo ouvido interno para manter o equilíbrio (5:45min).
Aos 6:14 min, um momento de carinho, que vai buscar qualidades humanas ao fundo daquele poço negro de sórdida carnificina chamado Gilles Binya. Foi o primeiro contacto humano não-agressivo/mutilador da carreira do centro-campista camaronês. A próxima viagem de Bafode Carvalho será à Faixa de Gaza, onde tentará envolver os embirrentos israelitas e palestinianos num doce e ternurento abraço pacificador.

O que aprendemos ao visionar estas imagens? Para além de que o equipamento do Estoril-Praia parece um pijama da Fabio Lucci, descobrimos que Bafode Carvalho é ambidestro da língua, mestre na basculação lateral técnico-táctica do futebol contemporâneo vertical e bravíssimo na componente defensivo-ofensiva da ocupação de espaços previamente ocupados.

Para a semana, o primeiro report, onde passaremos a prokopenko fino o Mês de Fevereiro protagonizado por Bafode Dabo Carvalho. Até lá, não se bafodam todos, carvalho.

quarta-feira, março 04, 2009

Patrocinadores Jeitosos

Estávamos em 1989. Xavier e Resende saíam de Riade a pensar em altos voos, antes de se despenharem pelos precipícios da desilusão. Miguel Veloso aprendia o B-A-BA das madeixas, enquanto o seu pai treinava penalties contra um boneco do Van Breukelen durante serões a fio. E pelos nossos relvados, camisolas aparentemente simples cobriam-se de patrocínios que revelar-se-iam históricos. Eis uma pequena amostra.

Apenas um nome era capaz de tornar o habitualmente sorumbático Isaías numa espécie de criança sorridente. Esse nome era “Teresinha”.
Teresinha foi como ficou conhecida a mais apaixonante sapataria de todos os tempos. E Teresinha tinha outra irmã, Beleza de seu nome, também ela uma sapataria, também ela uma aficionada pelo futebol do Porto. Porém, duas irmãs, duas paixões: enquanto que Teresinha perdera-se de amores pelo xadrez do Bessa, Beleza grudava-se como uma lapa aos bancos de suplentes das Antas.
Ah, Teresinha, Teresinha; quantos boavisteiros trajaram com o teu nome cravado a letras vermelhas no seu torso musculado… De Hubart a Phil Walker, quem ficou indiferente ao charme discreto da mais famosa Teresa do futebol nacional?
É justo reconhecer: o nosso imaginário futebolístico está marcado a tinta permanente por esta Teresinha. Quantos de nós, ao observar as bravas vestes quadriculadas, não quisemos conhecer-te de perto, entrar dentro de ti, tactear o teu couro e apreciar o conforto de um 42 biqueira larga? Todos nós, Teresinha. Também queríamos sentir a nossa peúga acariciada por ti e sermos Nelsons Bertolazzis por um dia.
Anos mais tarde, Teresinha revelou-se finalmente aos nossos olhos, sob a forma de menina da TV Cabo. Não nos desiludiste, Teresinha – não eras nenhuma bota da tropa, mas o sapatinho de Cinderela que humedecia os nossos sonhos.

A casualidade assaz natural de N’Dinga, espantado com o insólito objecto que lhe espetaram diante dele (“É só uma máquina fotográfica, N’Dinga”), apenas encontra contraste no vigor com que Tensai foi estampado na alva e engelhada camisola vimaranense.
Para dizer a verdade, a Le Coq Sportif apenas queria equipar o conjunto de trolhas que iria fazer umas obras na mansão do seu presidente. Vai daí, compraram cerca de duas dúzias de t-shirts brancas XL na Feira de Espinho por uma verdadeira pechincha. Só então é que veio a ideia de fazer um equipamento desportivo a partir das t-shirts, depois do sindicato dos trolhas ter rotulado o equipamento proposto de “indigno para toda a classe profissional”.
A direcção do Vitória ainda hesitou – “Eh pá, com aquelas golas em plenos anos 80 vamo-nos fartar de ser gozados, até perante o Fafe” – mas quando a Tensai lhes apresentou a sua proposta de patrocínio não restaram dúvidas: “Sim senhor, aquilo é que é pujança na ocupação do espaço; quase que já parece um equipamento de futebol a sério”.
Apesar do ar confuso de N’Dinga, tal opção fazia sentido: um equipamento rudimentar com um patrocínio ligado à tecnologia. Até era um avanço no sentido da modernidade. Antes de Tensai tinha sido o Atum General. Dizem que uma lata de atum vazia pagava o próprio equipamento da Le Coq Sportif.

Este breve lamiré despede-se não com um exemplar, mas toda uma equipa. É o mínimo que se podia fazer. Falamos do saudoso Beira-Mar, que regressara ao convívio da elite. Ou melhor, alguns chamar-lhe-iam Beira-Mar, mas os mais atentos designavam este brioso colectivo de “Exército das Telhas Campos”.
As Telhas Campos eram a verdadeira razão de ser destes guerreiros, tal o peso do seu prestígio. Todo o plantel treinava-se afincadamente durante a semana apenas para chegar ao Domingo e passear com altivez o nome das valentes Telhas Campos pelas quatro linhas deste rectângulo à beira-mar plantado. É possível vislumbrarmos o orgulho indisfarçável de mitos vivos como Dinis, Abdel-Ghany, Alain e Bugre, bem como a alegria transbordante de personagens como Paulo Campos, Costeado, Paquito e João Gouveia. O guarda-redes Miguel era naturalmente o mais triste por não ter direito àquele pedaço sagrado de tecido publicitário.
Todo o plantel uniu-se em nome deste ideal: evocavam o nome das Telhas Campos nas alturas más, glorificavam em êxtase a qualidade incomparável do material argiloso nas alturas boas e nunca deixaram que qualquer cerâmica espanhola denegrisse o seu bom-nome. Por exemplo, Dinis nunca foi capaz de partir uma Telha Campos que fosse na cabeça de Paquito – utilizava antes material em borracha impermeável, que até podia ser reutilizado em outras agressões semelhantes ou então para o telhado da sua garagem.
Há quem diga simplesmente que os tipos não batiam bem da telha, mas isso já não é para aqui chamado.

Agradecimento ao blogue Glórias do Passado pelo magnífico arquivo fotográfico.

domingo, março 01, 2009

Francis Bacon, Ultramar, e uma Angola "Loca" por sangue

Francis Bacon disse muitas coisas na sua vida. Disse coisas boas, coisas menos boas, coisas hediondas e coisas fabulásticas. Uma dessas postas de pescada revelou-se premonitória:

- "A vingança é uma espécie de justiça selvagem.", citação tatuada no peito do palanca Paulão, corria o ano de 2001.

O angolano era obcecado pelo filósofo londrino; seu fã de longa data e amante platónico post-mortem. Não raras vezes jogava com uma fotografia de Francis carinhosamente enfiada nos seus calções, o que o levou a ter uma discussão acesa com Marco Aleixo, quando ambos defendiam as cores do Sporting da Costa Verde.
Marco opunha-se ferozmente ao empirismo e afirmava com veemência que Confessio Fraternitatis o enojava particularmente. Escusado será dizer que as sessões de treino do clube de Bolinhas eram assaz quentinhas, e que Paulão levava a melhor com alguma frequência. Porque tinha Bodunha do seu lado.
E quem tem Bodunha, tem tudo.
E ganha. Sempre.














Na selecção angolana, o belicoso duo procurava converter os restantes companheiros à doutrina de Francis Bacon. Loco não percebia porque raio os seus colegas tanto gostavam de bacon francês, ele preferia fiambre mesmo. E isso deixava-o louco da vida.
Wilson e Quinzinho, por outro lado, beberricavam o conhecimento cuspido por Bodunha e Paulão, abraçando apaixonadamente a causa baconiana, nos raros momentos em que não se abraçavam um ao outro.
Pouco a pouco, todo o plantel foi-se entregando à seita de Francis Bacon (menos Loco - o Rijkaard subsariano - que ainda preferia fiambre).

Alheio a tudo isto, a uns belos milhares de quilómetros de distância, o povo português sorria.
O sol brilhava, Laszlo Boloni estava très content, Phil Babb e Pavel Horvath partilhavam tépidas pints of lager, e Ivan Litera vencia constantemente os concursos de cotão de umbigo que realizava com o seu compincha Carrasqueira.

Respirava-se optimismo. Estávamos em 2001 e a Humanidade vivia o excitante dealbar de um novo milénio. A ideia era esquecer os mil anos anteriores, marcados por guerras, epidemias e Martin Pringle. Olvidar os dez séculos volvidos, que revelaram a face medonha do ser Humano e o levaram a um período de introspecção.
O novo milénio surgia como uma nova oportunidade, uma forma de expurgar os pecados e construir um Mundo melhor tendo por base a paz, um fio de cabelo do Giovanella e o amor. A parte do fio de cabelo foi um sucesso, mas as restantes iniciativas tiveram um resultado semelhante à contratação de Nica Basarab Panduru pelo FC Porto.

Tudo terminou a 14 de Novembro de 2001. O dia em que a humanidade perdeu a esperança.
"Hão de pagá-las, brothers", balbuciava o buliçoso médio André Venceslau Macanga na véspera do encontro amigável entre Portugal e Angola, jogo-símbolo do desabrochar das novas relações entre os dois Países. Festa, celebração e exaltação de dois povos irmãos, que deixando os horrores da guerra colonial definitivamente para trás, se iriam fundir num longo e reconciliador abraço, exalando amor à maneira de Príncipe Maestro e David "Bad Muthafucka" Luíz.

Mas Macanga tinha outras ideias:
- Construir um império financeiro baseado em almofadas de folhelho de trigo sarraceno e alfazema.
- Vingar-se da guerra colonial.

Vamos focar-nos na segunda. Paulão e Bodunha tinham feito passar a mensagem do seu mentor e ídolo -Francis Bacon - aos restantes palancas negras, e Macanga levou-a a outro nível.

"A vingança é uma espécie de justiça selvagem."


Trinta anos após a guerra colonial, a selecção angolana tinha descoberto o palco da vingança: Alvalade.

A festa começou bonita, com
il fantasista varzinense Mendonça a molhar o espargo na maionese logo ao primeiro minuto de jogo. Um toque de magia, um hors d'oeuvre para a festarola ou uma centelha de sadismo? Com que jogo nos iriamos deparar? Um festival de futebol ofensivo, mostra de criatividade e boas intenções de cariz fraternal?

Nada disso.

Ao minuto 13 da partida, o plano angolano começou a tomar seu rumo. Pauleta e o sniper envolviam-se em confrontos. Coisa pouca; ao final de contas estas Taharices são o Lim nosso de cada dia no futebol. Cartão amarelo para ambos. Mas Asha era um homem com uma missão. E não ficaria por ali.
Quatro minutos depois, o primeiro kamikaze rossonero completaria a sua incumbência com eficácia fertoutiana. Souvenir nas pernas de Luís Figo, segunda cartolina amarela, e duche com ele.




11 - 10.






Wilson
- o afável pedaço de mobília belenense - não quis ficar atrás, e transfigurado pelos hostis vocábulos de Francis Bacon, decidiu ver ele também duas cartolinas amarelas no espaço de 180 calvos segundos e abandonar o certame. Aos 28 minutos, o gentil central lambia finalmente o sangue dos lábios - e gostava.

11 - 9.

"Escolher o seu tempo é ganhar tempo". Mais uma citação de Francis Bacon que fez sentido aos curiosos ouvidos de Franklim.
60 segundos após a expulsão do calvo capitão, Frank The Killer protagoniza uma desajeitada tentativa de assassinato ao Pai de Tiago Pinto, e vê-se escorraçado do desafio pelo árbitro francês. "Foram os 60 segundos mais longos da minha vida", diria mais tarde o sanguinário palanca. Andrés Diaz discordava.

11 - 8.

Termina a primeira parte, e os jogadores dos palancas negras rejubilam. No placard tradicional lia-se 3-1, mas no balneário africano contavam-se os hematomas gentilmente oferecidos aos futebolistas lusos. Goleada. O Ultramar ficava finalmente para trás, e Alvalade era palco da mais brutal catarse do futebol mundial desde a conferência de imprensa do Pai de Tiago Pinto pós-Vigo.


Eis que tem início a segunda metade deste histórico jogo. Desde Carrie em 1976 que não se assistia a uma festa tão desastrosa.

Ou uma matança tão festiva.

Portugal precavê-se: tira cinco jogadores de futebol ao intervalo e introduz sacos-de-pancada do calibre de Litos, Frechaut e o Jardel coimbrão.



Os africanos não querem saber. Loco afia os dentes com uma lima, Bodunha saliva, Paulão esfrega a mão e André Macanga faz almofadinhas fofas com o seu folhelho de trigo sarraceno.

Recomeça a partida, e o palanca Neto diz para si próprio: "Não é cedo, nem é tarde."
120 segundos após o reatar das hostilidades (literalmente), a côr amarela surge no seu horizonte, depois de ter tentado cortar o cabelo de Nulo Golos à chapada. Na verdade, já era preciso alguém que tivesse coragem para dizer ao amarantino que o look à Take That terá ficado esquecido algures em 1995, juntamente com a passagem de Jean-Jacques Eydelie pela Luz.

Aos 51 minutos de jogo, depois de 4 minutos sem estropiações, amputações a sangue frio ou arranjos faciais involuntários, o banco angolano decidiu relembrar aos seus jogadores a razão de ser do desafio. Entram os cabecilhas da vingança, Paulão e Bodunha. Com eles entra todo o ódio de um povo revoltado por centenas de anos de ocupação, injusticas sociais e álbuns dos Delfins.

O banho de sangue vai empapando a relva de Alvalade, já reduzida a uma espécie de arroz de cabidela sem arroz. Aos 64 minutos, Neto volta a ávalizar bem um adversário, através de uma tentativa de mutilação ao Jardigol academista. Estes gajos acumulam cartões amarelos como o Paulo Vida acumula tentos. Amarelo+amarelo= vermelho.







11 - 7.









Desta feita, o simbolismo do número 69 não foi muito positivo para os angolanos (excepto para Mantorras, dado ser essa a sua idade). Hélder Vicente, esse maluco, tinha uma rave party em Cabeceiras de Basto e temia que não chegasse a tempo. Esperto como um alho, katsouraniou uma lesão para que o desafio acabasse mais cedo, pois o angolano estava perfeitamente a par da regra que não admite que um jogo continue quando uma das equipas dispõe de um número inferior a sete elementos. É o que dá jogar FM até altas horas da madrugada ao leme do Watford. Aos 69 minutos, Pascal Garibian apitava para o final da carnificina/desafio.

11 - 6. Vitória lusitana por KO.

Terminava assim o arroz de cabidela sem arroz, aquele que seria o momento mais hediondo do futebol português até à conferência de imprensa de Rocky Balboa do Caravaggio com Roberto Leal. Isto apesar de 93% dos futebolistas envolvidos no circus maximus de 14 de Novembro de 2001 jurarem a pés juntos que preferiam passar de novo pelo mesmo a ter que ouvir a versão de "uma casa portuguesa" que Robby Leal e Luíz Felipe nos ofereceram em 2008.

No final, os adeptos angolanos decidiram ofertar cadeiras do estádio de Alvalade aos gladiadores que tinham acabado de se sacrificar pelo bem deles. Pelo bem do espectáculo. Um gesto bonito, que teve continuidade pelas ruas da cidade de Lisboa, tomada pela espírito de festa - e porque não - do Natal que estava aí à espreita. Christmas, bloody christmas.

Porém, até podemos encarar a contenda do 14 de Novembro como algo bastante pacífico, tendo em conta o panorama do cautchú luso. É que não houve avançados com deficiências ortodôncias a socar seleccionadores nacionais, pais de laterais-esquerdos do Trofense a mandar sopapos em árbitros, ou ainda responsáveis máximos de equipas técnicas nacionais a arranjar a dentição de futebolistas sérvios.

E Loco? Foi prazenteiro para casa, cantarolando uma velha máxima de Francis Bacon:
"A porrada é como o adubo, não é boa se não for distribuída."


sábado, fevereiro 28, 2009

Quatro Guedelhudos Sonham Com O Glam Metal


Spassov, Fernando Couto, Holmberg e Marco Almeida. Todos tiveram o quarto forrado com posters dos Poison. E o Spassov, para além disso, tinha medo de se pentear.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Outro Destino Fabuloso

Tales Schutz (santinho). Um possante avançado, dois belos nomes e três vezes consecutivas a titular como record.

Tales nunca poderia ser horticultor, nunca foi tipo de criar raízes. Como o seu homónimo de Mileto, Tales Schutz (santinho) também se dedica à filosofia. Alguns pensavam que ele vivia do e para o futebol. Mas, na verdade, foi sempre a filosofia que norteou este Tales – em rigor, a filosofia do desprendimento. A sua citação favorita era de António Variações: “só estou bem onde não estou”.
Tales era de facto muito rápido. Como o Lucky Luke a fulminar a sua sombra, olhávamos para o lado e… pumba!, Tales já lá não estava. De espírito inquieto, entediava-se rapidamente das coisas. Tudo era demasiado longo. Especialmente, os 90 minutos de um jogo. Para Tales, o ideal era que o jogo se compusesse de dois pontapés de saída, um por cada equipa, e após estes pontapés íamos todos para casa felizes e contentes, a pensar onde ir no dia seguinte.

Não querendo maçar, até porque o currículo que apresentamos na figura é deveras esclarecedor, vamos só resumir o fabuloso percurso de Tales Schutz (santinho): Botafogo (sítio jeitoso para começar, sem dúvida); Atlético Paranaense (bonito, sim senhor); Ashod (ah, Israel e o seu futebol composto de ogivas de longo alcance e carrosséis ofensivos com sabor a pita shoarma); Maccabi Netanya (não se obtém prestígio nenhum se se jogar em Israel num clube que não seja “Maccabi”); Botafogo RP (cá está, o efeito do prestígio acumulado); Akratitos (onde arranjou atritos que o devolveram à procedência); Botafogo RP (outra vez, num encore pouco habitual); Cianorte (não, não é uma empresa de viação de Amarante); Jagiellonia (a Polónia era o sítio ideal para aprender a desenvolver um bigode como o do Lech Walesa) e Juventus SP (afinal, fazia muito frio na Polónia).
A partir daqui, os relatos dividem-se: os “Cadernos da Bola” apontam que Rondonópolis foi o destino; já a Wikipedia refere o Grémio Inhumense. É natural esta confusão. São dois grandes clubes quase indiferenciáveis. Acreditamos, inclusivamente, que é possível que tenha jogado cinco minutos num lado e outros cinco noutro. Não se esqueçam que Tales foi menino para estar em cerca de dez clubes em apenas cinco anos – ou seja, dois clubes por ano.

Depois, a glória: uma chamada da China, que ficara de olhos em bico perante as qualidades de Tales Schutz (santinho). A resposta de Tales ouvida pelos “Cadernos da Bola”: duas dúzias de golos em trinta jogos.
Golo após golo, Tales levava o riquexó do South China a píncaros nunca dantes experimentados. Fez chop suey das defensivas amareladas e arriscou desfilar em Tiananmen a dar toques na bola. Estava encontrado o novo Confúcio.
Porém, fiel às suas convicções, enterneceu-se ao ouvir falar do Leixões, um clube de homens do mar. Mesmo que estivesse quase a acreditar que era mesmo um avançado notável, Tales arrancou decidido para Matosinhos, deixando a China à beira de um ataque de nervos. Pedaços da Grande Muralha foram-lhe ofertados por milhões de crianças exploradas em fábricas de calçado, mas nada demoveu o impaciente Tales Schutz (santinho).
No Leixões, 394 intensos minutos em 10 jogos. Lamentavelmente, o fulgor goleador da temporada chinesa afundara-se como uma traineira ao largo da costa. Sem grandes surpresas, a direcção leixonense preparava-se para dispensá-lo logo na reabertura do mercado… mas Tales Schutz (santinho) já nem sequer lá estava: regressara ao South China, o único sítio que realmente o soube apreciar. Com ou sem crepes fritos.
Agora Tales Schutz (santinho) vive feliz, com uma impressionante e inédita estabilidade, num fértil campo de arroz com mais 30 ou 40 milhões de chineses, mais o Sidrailson – que deixou um rasto de saudade em Barcelos –, o relativamente obscuro Cacá e o igualmente icónico Detinho. Como podem ver na fotografia ao lado, e a menos que um escorpião lhe tenha paralisado os músculos faciais, Detinho está com um óptimo aspecto, encontrando finalmente um fato que lhe servisse.

Como curiosidade, a Wikipedia refere que Tales usa o nº28 nas costas, em homenagem ao dia em que conheceu a sua actual namorada. Porém, conhecendo bem Tales Schutz (santinho) como conhecemos, é provável que Tales já tenha mudado três ou quatro vezes de namorada entretanto. Pode também já se ter casado, divorciado, casado e preenchido os papéis para o divórcio novamente. E não será de estranhar que já tenha mudado de sexo, regressado ao normal e pensado em mudar de sexo outra vez ou tornar-se hermafrodita. Apostamos que nem a Wikipedia terá o mais recente update de Tales Schutz (santinho).

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Um Destino Fabuloso

Um destino fabuloso não está apenas ao alcance de Nuno "Gomes"… desculpem, da Amélie Poulain. Há quem coleccione autocolantes das mais variadas latitudes na sua mala de viagem assim como o nosso saudoso Eusébio (ex-Tirsense, ex-Beira-Mar, ex-Braga e ex-mullet) coleccionava cartões amarelos.

Falamos, por exemplo, de Márcio Martins e dos seus belos olhos cuja cor nunca conseguimos discernir. Márcio foi um zagueiro vimaranense e presença indispensável no banco e na bancada da cidade-berço, de onde emitia descrições rocambolescas da sua carreira que todo o plantel sorvia com ardor, como escuteiros à volta da fogueira. As palavras de Márcio Martins escorriam como fios de mel pela carapinha achocolatada de Neno, resultando numa sobremesa tão apelativa quanto perigosamente calórica. Um dia, o seu poder oratório até corou o aparentemente imperturbável Momha. Ou seria o Desmarets? Pronto, o mais alto desses dois.

Márcio nasceu em Ibitinga, a terra de todos os sonhos, num óbvio prenúncio da carreira estrelada que o aguardava. Ainda adolescente, reparou numa bola de trapos e fez-lhe olhinhos. Foi atrás dela e acabou por se inscrever no Matonense. Acto contínuo, empinou o peito e fez-se à vida no colossal Guaratinguetá.
Isto já seria suficiente para preencher o currículo de muito boa gente, mas Márcio, ambicioso, quis ir um pouco mais além. E, findos três enormes anos, partiu a loiça e dirigiu-se para o mastodôntico XV de Novembro.
Uma vez chegado a esse dia do calendário tornado clube de futebol, Márcio decidiu que gostava mais da véspera, ou seja, regressou, um pouco desiludido, para a casa que tanto o amou: o grande – treze letras – e impronunciável Guaratinguetá.
Por pouco tempo, porém. Márcio, sempre em busca do seu El Dorado português, nem hesitou quando aceitou o convite do Figueirense, convencido que singraria no frenesim urbano da Figueira de Castelo Rodrigo de início de século. Márcio via com bons olhos espalhar o seu futebol pelos campos sintéticos do alto da Beira Alta, mas, afinal, o Figueirense era do estado de Santa Catarina.
Nova tentativa: disseram-lhe que precisavam de um defesa em São Bento e Márcio, apesar de intrigado (“Ué? Então o presidentji dji Pórrtugau vai precisá dji zaguêros no seu palácio? Não entendu, não.”), sentiu que estava na altura de mudar de camisola outra vez. Mas afinal São Bento era do estado de São Paulo e tantos santos já estavam a aborrecer Márcio.

Estava Márcio pelo Guarani, aliviando as suas mágoas entre índios tupis, tucanos e guaranás, quando uma chamada celestial desceu das nuvens e atingiu Márcio – a Juventus precisava dele. Hossanas ao senhor, as preces tinham sido ouvidas, nem o armário com dois pés chamado Gladstone tivera semelhante sorte. Márcio pôs a sacola às costas e lá foi ele, orgulhoso e agradecido ao senhor, apanhar o avião para Turim.
Infelizmente, esta Juventus não era a vecchia signora de Piemonte, mas sim a Juventus do velho conhecido estado de Santa Catarina. A Europa parecia uma miragem só vista através da TV Globo Internacional.

Finalmente, a consagração: Afonso Henriques, o fundador português, esperava-o de braços abertos. Pegou nos seus cromos do Caio Júnior, Alexandro e Arley e colou-os no peito, mesmo em cima dos tufos de pêlo, pedindo protecção divina destes seus novos profetas.
Todavia, quando Márcio aterrou, constatou que era mais a bancada central que o esperava e que o fundador tinha mais que fazer do que empossar Márcio como seu aio. É verdade, o inventor de Portugal andava ocupado em selar a sua amizade com o mouro Luís Muhammed Vieira, até garantindo o concurso de duas cromáticas princesas, Luís Abdul Filipe e Nuno Al-Assis, para os seus quadros. Pelo meio, organizaram-se viagens de sonho até às pacíficas paisagens centro-europeias feudo de Mr. Platini, em jeito de lua-de-mel. E Márcio continuava a apanhar bonés.
Apesar de tudo, o calor humano dos Insane Guys, as fintas de Fajardo e o facto de Jean Coral ser um excelente sambista fizeram com que Márcio ficasse pela sombra do castelo cerca de ano e meio, embora contando pelos dedos de uma mão de pirotécnico os seus jogos pela equipa principal.

Foi muito bom, mas tal idílio tinha que acabar. A partir daqui, o céu era o limite. Contudo, sendo um tipo razoável e antevendo problemas de relacionamento com os santos, Márcio Martins regressou à sua terra e quedou-se pelo Ceará. Por enquanto: na altura em que estiverem a ler esta linha, é bem possível que Márcio já esteja noutro lado qualquer.

Fabuloso, não? Mas esperem até verem o percurso de Tales Schulz, esse meteórico goleador que ainda ensombra a memória de alguns matosinhenses incrédulos. A não perder num post que virá antes que alguém consiga pronunciar “Vlk e os três tristes tigres do Kralj” correctamente.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Doppelgänger MCXVII














- Reginaldo Rodrigues de Almeida: jornalista da SIC
- Givanildo Vieira de Souza: único ser humano (?) a desafiar o Optimus Prime para uma batalha e a vencê-lo por KO técnico ao 1º round. Sem mãos (e com uma ligeira dor de cabeça).

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Rádio Nostalgia

Passado o Cristo-Rei, sintonizámos o velho rádio de pilhas nos 150.0 MHz da Nostalgia FM, em busca dum relato qualquer. A nossa preferência ia para o escaldante Alfarim – Marítimo Rosarense.
Mas no distrito de Setúbal já não há sarrdinha da boa nem choco frrito que não saiba a plástico, o Vítor Baptista nunca mais encontrou o brinco, o Barbas foi quase engolido pelo mar (que ponderou, e muito bem, os prós e os contras de levar aquela fartura capilar consigo) e de relatos… nada.
Previsivelmente, Carlos Cardoso está novamente ao leme do Vitórria. Mas há outras personagens que já não voltam, nem patrocinadores como a Mimosa, nem os largos equipamentos da Olympic, findos esses loucos anos 90. Façamos-lhes então justiça.

Silvino, esse mítico pigmeu das redes, mais elástico que uma pastilha Super Gorila, trocara a Costa Verde pela Costa Azul. Tentou ver como seriam as coisas mais a sul, se calhar no Norte eram todos gigantes e no Sul ele seria um Gulliver em Lilliput. Mas não. Um metro e meio, ou lá o que era, não significava grandeza em lado algum. Após ter sido espezinhado inadvertidamente pela equipa de infantis do Vitória, o máximo que Silvino conseguiu nas margens do Sado foi ostentar uma bela camisola de guarda-redes, tamanho XXS, comprada ao filho recém-nascido do Figueiredo, que tinha ido aos saldos da Pré-Natal.

Figueiredo, ou o orgulho de um aspecto completamente desmazelado e ligeiramente jaimado da cerquelha. Figueiredo não conhecia regras. Tudo o que se mexesse era para deitar abaixo. Não havia cá rodriguinhos. Não havia cá pentes. Não havia cá perfume. E depois, aquele sorriso provocante, aquela estranha sensação de estar a faltar um dente partido para compor o ramalhete. Figueiredo era punk, niilista e anárquico. Não havia grande sentido no jogo dele – a não ser o sentido único da cacetada a torto e a direito, o pontapé para os golfinhos no estuário e a ironia desbragada, semelhante à de um Bocage com os azeites.

Ao seu lado, Eric, o boer. Também gostava que lhe chamassem de Tinkler. De aspecto militar, o sul-africano mais famoso da margem sul impôs a sua lei pelo burgo onde outrora Luísa Todi afinou as goelas. Porém, com Eric não havia cantigas. A férrea ética de Eric, aprendida entre o caos de Joanesburgo e a selvajaria do Kruger Park, tanto era capaz de lhe granjear grandes amigos como grandes inimigos: quem fosse simpático com ele ainda era capaz de receber uma pepita de ouro contrabandeada do Transvaal como sinal de respeito; mas a quem lhe ousasse mostrar maus modos, Eric obrigava essa pessoa a visionar duas vezes seguidas o filme “Os Deuses Devem Estar Loucos”, com legendas em boshimane, algo que fez com que Sessay estivesse sempre com as rastas de sobreaviso, à espera que uma messiânica Coca-Cola caísse do céu. Eric até gostava de jogar à bola, mas tudo tinha de ser feito mais em força e com uma velocidade semelhante à do Rochemback coxo.

Velocidade? Velocidade era com Aziz. Dribles eram com Aziz. Tapetes eram com Aziz. Aliás, dizem que foi este marroquino quem estendeu a passadeira vermelha para Rui Esteves entrar triunfalmente no Bonfim. O moscatel caía-lhe mal, dado que o seu estômago só tolerava kebabs sem molho e de confecção caseira. Aziz tornou a sua estadia por Setúbal numa espécie de Ramadão permanente e o seu sorriso eclipsou-se em menos de nada, tapado pelas longas melenas de Hernâni.

Hernâni, aqui convertido ao fenómeno grunge que também varreu o Sado, regressara a um estádio perto da praia, depois de uma relação mal resolvida com o volume monolítico que era Mozer. As coisas pareciam bem encaminhadas. Mas jogar na relva é uma coisa, jogar na areia é outra – um pouco como comparar Pearl Jam com Blind Zero. De resto, as afinidades com o “rock n’ roll lifestyle” não se esgotavam no plano estético e Hernâni quis ir mais longe, cheirando todas as oportunidades que lhe surgiam pela frente para ser um verdadeiro ídolo do povo. Tanto cheirou que se tramou: esta passagem por Setúbal revelou-se um “flop” e Hernâni ressacou pelo círculo central, nunca conseguindo sequer chegar junto às linhas.

Porém, as sementes tinham sido lançadas: Paulo Sérgio, agora bem mais anafado e sem os tiques de Sansão que o caracterizavam, também tinha sucumbido à moda grunge. Cabelos compridos, soltos pelo vento, rebeldes como um som saído de um suja garagem, contrastando com o genuíno fado do avançado português: muita parra, pouca uva, um ou outro golito quando o rei fazia anos, longe da magnificência do (con)sagrado Yekini. Mas dizem-nos que nos treinos o Paulo Sérgio era mesmo muito bom e chegou a cantar a “Daughter” dos Pearl Jam melhor que o próprio Eddie Vedder. E, no seu auge, fez um mosh histórico ao Hélio, apanhando-o distraído a espremer borbulhas no balneário.

Desligámos a rádio, mas não a nostalgia. O que vale é que ainda vai existindo um Leandro Carrijo por aqui e acolá, entre este ou aquele Laionel, perdido nas encostas da Arrábida.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Gala Cromos da Bola 2008 - O Final

Chegamos finalmente à conclusão da Gala Cromos da Bola 2008, que premeia com os insignes Rui Óscares os filmes (e seus intervenientes) que mais se destacaram ao longo do ano transacto.


















O Rui Óscar para Comédia do Ano foi rasteirado por "Petit", com Armando Teixeira no papel principal. O sanguinário primata interpreta de forma brilhante o emigrante que deixa o seu País à procura de uma vida melhor na Alemanha; tudo isto enquanto descodifica a misteriosa nação de Michael Kimmel para português ver.
Sempre com muito humor, sangue e couratos à mistura, a dor de ver partir um dos nossos é mitigada pelo sucesso que o Armando consegue atingir nesta sua nova aventura. Como não vencer num campeonato onde até Hugo Almeida parece vagamente um jogador profissional de futebol?

Teixeira pareceu feliz com o galardão, mas na realidade ninguém percebeu muito bem se ele estava a vociferar ou a chorar de emoção. Para a posteridade fica o momento em que o futebolista partiu a base da estatueta do Rui Óscar com um "carrinho" magistralmente executado.
















Com toda a pompa e circunstância, a categoria de Filme Rasca de Acção do Ano fechou a edição de 2008 da nossa prestigiada Gala. Uma vez mais, o favorito era óbvio e não se registaram quaisquer surpresas:
"Double Team", uma intensa e violenta película escrita pela pena do Demo, apresenta-nos um duo volátil e com especial gosto pela destruição, que pintou a ódio os relvados nacionais no ano da graça de 2008.
Irmãos de sangue e inimigos de profissão, estes dois mafarricos demonstraram especial propensão para se meterem em sarilhos. Embora não pertençam a nenhum exército e não se guiem pelas normas, juntos formam um duo imbatível. Que ninguém ouse desafiar os seus pitons banhados a calamidade, sob pena da reforma se aproximar à velocidade de um Zé Bala.

Bruno Regufe Alves e Gilles Binya, os protagonistas, partilharam o palco por pouco tempo, visto que o próprio palanque fora alvo de uma entrada agressiva do camaronês. Ainda o público gritava horrorizado "rotura de ligamentos!", já estava o companheiro Alves a dar o toque final nesta demanda de flagelo do duo desgraçado duo. "E a seguir, vou encavalitar-me nas costas da estátua da liberdade!", bramia o megalómano Regufe, enquanto as chamas consumiam o armazém. Sim, alguém deu um isqueiro e gasolina ao Bynia. Mais tarde, Detinho viria a admitir o seu erro: "Cara, ele disse que era para fazer uma baita duma caipirinha à Didier Lang. Como podia recusar, pô?"

Foi assim o extemporâneo terminus da Gala Inaugural Cromos da Bola, sem que o pirómano camaronês tenha tido sequer oportunidade de receber o Rui Óscar para Penteado Mais Similar A Um Ferrero Rocher, naquele que se previa ser o ponto de rebuçado do certame.

Fica para o ano.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Gala Cromos da Bola 2008 - A Terceira Noite


Foi num clima de grande comoção que a decisão relativa ao Rui Óscar para Dramalhão do Ano surgiu no calendário de celebrações.
Ouviu-se um pigarrear colectivo do público.
Os pañuelos sairam dos bolsos.
Surgiram soluços abafados, como se a tragédia flutuasse no ar acima da plateia.
As faces da populaça surgiram pintadas de antecipação de cariz negativo, como quem presencia um acidente prestes a acontecer, ou o Ronny a assumir a marcação de um livre directo.

O próprio lateral esquerdo quase-timorense não resistiu à tensão do momento e apertou com força a suave (mas firme) mão de Nalitzis, que sorriu timidamente e sussurrou um visceral "je t'aime".

Mas quando Eládio Clímaco e Luís Carlos mandaram o desamparado Quim subir ao palco, os sorrisos abriram-se acabrunhados e a infame "palminha lenta" começou a surgir. Tal qual uma película americana, o som a batata frita das palmas - símbolo de popularidade e aprovação - encheu a pouco e pouco o armazém outrora frio e tristonho. Nalitzis ofereceu um anel de rubi a Ronny, e Quim deixou escorregar o Rui Óscar das mãos três vezes antes de conseguir proferir a primeira palavra de agradecimento.

Foi com uma sensação de reconhecimento que a plateia abraçou o galardoar deste projecto, que documentou o terror e a angústia de um guarda-redes que sofre 13 golos em 13 dias. "Thirteen Ghosts" demonstrou também grande criatividade da equipa que redigiu o argumento deste filme, pois um guião destes cabe claramente no domínio da mais mirabolante ficção científica. O trágico keeper Joaquim Silva protagonizou o papel da sua carreira na pele do azarado diabo que resistiu heroicamente a todos os obstáculos que o assolaram durante 13 dias de pesadelo.

As coisas piaram mais fininho quando chegou a hora de entregar o Rui Óscar para Melhor Filme de Terror. Com o Incrível Hulk já fora do pavilhão a mastigar camiões TIR, o Rocha do Duarte & Cia a vender papagaios de papel na praia e o Joker entretido a pintar um auto-retrato (sim, auto) da Mona Lisa, as atenções viraram-se para o único vilão presente: o sanguinário Ávalos, de regresso aos certames lusitanos.

Porém, qual a surpresa quando quatro cidadãos seniores se levantaram (com ajuda alheia) e caminharam/foram empurrados muito lentamente em direcção ao palco...É verdade, qual dia de Natal, onde por tradição se come "roupa velha", na Gala Cromos da Bola velhos foram os trapos, e estes mesmos trapos vencedores foram.

"The Mummy Returns" foi a película vencedora da categoria reservada aos Ávalos deste Mundo, reveladora e assustadora na forma como retrata o renascimento de uma Fénix muy portuense, apesar de vermelha. Como múmias temos os decrépitos Falmeida, Renato e Cao, mas quem mais brilhou foi Alves Nilo Vinha, no papel da múmia que vinha, mas não veio, arrebatando assim o Rui Óscar para Melhor Actor Secundário. O ceifador cabo-verdiano Cao também esteve em destaque, vencendo categoricamente o Rui Óscar para Melhor Ser Humano em Decomposição.

Para celebrar o feito, o quarteto de amigos foi beber uma canja de galinha e jogar dominó para o jardim. Parece que o Cao foi expulso. O outro vencedor da noite, Quim, pediu para se juntar ao gang e fazer uma partidinha, mas os convivas não o deixaram jogar, dado que deixava cair as peças todas.

domingo, fevereiro 01, 2009

Gala Cromos da Bola 2008 - Triplo Salto para Meyong


A noite não poderia ficar completa sem a atribuição do Rui Óscar para Triplo Salto, e "Saw 3" dizimou a competição - que era basicamente nula, dado que os consecutivos mergulhos de João Moutinho para a piscina/relvado foram alvo de desclassificação, consequência da impossibilidade do futebolista leonino superar o limite mínimo de idade.

Meyong - A história do jogador visto no maior nº de clubes, em tão poucos minutos.. O titulo do filme podia ser "Meyong, um jogador Ping-Pong", mas à última da hora mudou para este retumbante êxito de bilheteira. E assim é premiado com o Rui Óscar do triplo salto...
Meyong começou no Levante, cedo passou para Albacete e tarde acabou no Belenenses. Para Zé Meyong , qual Zé Portuga.. para ele não há regra que o apanhe.. até que .. alguém o viu nos 3 clubes. Uma sequela de terror e suspense, em que o sangue de Carlos Janela jorrou nos dias seguintes a….
I SAW YOU MEYOONG! THREE TIMES MEYONG!

Na hora da celebração, o Zé dos Camarões presenteou o grande público com uma sensual dança do ventre, que lhe valeu um piropo muito especial por parte de Hans Vimmo Eskilsson.

Gala Cromos da Bola 2008 - Rui Óscar para Trama do ano



Numa decisão previamente estipulada numa obscura reunião na League of Gentlemen, o Rui Óscar de Trama do Ano foi arrebatado pelo thriller "O Advogado do Diabo".

Ricardo Costa, um prezado e estimado advogado português, procura a fama nos corredores da Lei nacional..
Caso após caso, Ricardo vence (não o do Bétis, claro) e procura justiça no Mundo!
Bem sucedido, é convidado para voos mais altos (não os de Ricardo do Bétis, claro) e ascende á liderança da JUSTIÇA na Liga Portuguesa de Futebol Profissional, onde o caso Golden Whistle impera.
Aparece na vida de Ricardo Costa um senhor muito low profile, mas cheio de ideias e poder - Luís Filipino Vieira .
Bem coadjuvado por uma nortenha de gema, uma mulher com padrões de vida paralelos e apaixonantes… esta dupla faz da sua luta uma questão de vida ou morte.
E a pressão funcionou..a pressão do público e dos media.. a pressão do presidente da liga, dos corredores escuros , obscuros e negros do futebol português vingou..
Mas ainda hoje não se percebe se o mal triunfou ou não...

Na impossibilidade de qualquer um dos intervenientes na película estar presente no certame - devido a mais reuniões (mais ou menos) secretas que decorrem neste preciso momento - o futebolista/ciborgue Pedro Mantorras coxeou até ao palco para receber o galardão em representação dos ditos cujos. O angolano brilhou com a sua exuberância e fez sorrir a plateia quando disse que iria derreter o Rui Óscar, pois era do opinião que um fémur de ouro era capaz de combinar bem com o joelho de platina. José Castelo Branco, o seu par, rapidamente apontou que ouro e platina não fazem pendant.

Gala Cromos da Bola 2008 - Rui Óscar para... BIG



Um dos Rui Óscares mais esperados da noite é o de melhor argumento. Que desta vez se junta inesperadamente ao de melhor caracterização e maquilhagem… tchan tchan tchan..
And the winner is Geoooooooooorge Leandro Abreu de Lima, mais conhecido como “Leandrinho Lima tenho 23 mas pareço ter 19”.

Uma história comovente, com uma caracterização impressionante que fez parecer este jovem ainda mais jovem. A não perder a enredo de um jovem que passou a vida a chamar-se
Luis Leandro Abreu de Lima, nascido em Fortaleza em Dezembro de 1987. Mas afinal.. após uma investigação com ADN, cabelos, sangue, câmaras ocultas e microfones nas cuecas, uma verdadeira investigação CSIesca, veio a nu o verdadeiro homem - George Leandro Abreu de Lima, nascido em Novembro de 1985.
Um talento do Nordeste.. que o Sado vê agora desaguar no seu caudal…
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